“Professor precisa abrir a cabeça”, diz José Pacheco

Fonte: Porvir.org 

Depois de já ter revolucionado os moldes tradicionais de ensino na Escola da Ponte, o professor português José Pacheco, hoje um estudioso da realidade brasileira, aposta na mudança de mentalidade dos professores e no apoio dos governos para haver inovação em educação. Segundo o educador, é preciso que as iniciativas isoladas que ele tem visto pelo país sejam registradas, avaliadas e incentivadas para não serem perdidas. Mais que isso: os professores devem se dispor a mudar para adotar uma postura mais descentralizada, aberta à reflexão, ao diálogo e à diversidade.

Pacheco se tornou mundialmente conhecido por transformar uma escola pública portuguesa, a Ponte, com uma metodologia ousada: ele acabou com turmas, salas de aula, disciplinas e passou a ensinar conforme a motivação dos alunos. Lá, são os próprios estudantes que se organizam em grupos heterogêneos para estudar os assuntos que lhes interessam, são autônomos para pesquisar, apresentar os resultados para os colegas e, quando se sentem prontos, avisam que podem ser avaliados. O educador já está aposentado, mas sua proposta pedagógica continua sendo aplicada na Ponte e é replicada em vários países, inclusive no Brasil.

Como o senhor definiria inovação em educação?

Os arquivos das universidades estão repletos de teses sobre inovação. Sendo um termo de vasto espectro semântico, eu poderia escolher uma definição qualquer e escrever aqui, mas não farei. Prefiro dizer que, no campo teórico da educação, já tudo foi inventado e que as teses são meras reproduções de teorias… Na prática, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, quase sempre, tem consistido apenas em pequenas mudanças num modelo educacional hegemônico e obsoleto. Esse modelo, dito “tradicional”, aquele em que é suposto ser possível transmitir conhecimento faliu muito tempo atrás.

Nós, brasileiros, somos um povo aberto para inovação?

Sem dúvida que a mistura genética deu origem a um povo criativo. Acompanho algumas práticas embrionárias que provam a capacidade inventiva dos professores brasileiros. São iniciativas que partem de desejos e necessidades sentidas pelos atores locais. Essas práticas (talvez inovadoras) requerem descentralização, questionamento do modelo de relação hierárquica, negociação e contrato, respeito pela diversidade. Tais projetos poderiam constituir-se em oportunidade de mudança, mas o poder criativo não encontra acolhimento junto daqueles a quem compete gerir o sistema. Urge inovar, mas como pode acontecer inovação, se quem decide não tem consciência dessa necessidade?

O que de mais inovador o senhor tem visto pelas suas viagens pelo Brasil?

Tenho visto o trabalho discreto de muitos professores. Um trabalho que talvez mereça ser considerado inovador, mas que, por não ser apoiado pelo poder público, nem avaliado, se perde, quando os professores desistem de querer mudar as escolas, quando desistem de fazer das crianças seres mais sábios e pessoas mais felizes.

Existe mais abertura hoje para projetos que desconstroem a escola tradicional, como a Escola da Ponte ou a Educação Ativa?

Existe abertura por parte de educadores atentos à tragédia educacional brasileira. Há dados que mostram que há alunos que chegam ao ensino médio analfabetos ou incapazes de fazer uma interpretação de texto.

As escolas se converteram ao mundo digital, mas mantêm e reforçam práticas de ensino obsoletas, o improviso e o imediatismo das “novas” práticas faz prosperar o insucesso. Urge instituir novas e autonômicas formas de organização das escolas, mas também recuperar práticas antigas, sem a tentação de clonar a escola da Ponte ou adotar modismos.

Há muitos educadores com um estatuto social degradado, mal remunerados, mas que não desistem de desconstruir o modelo tradicional, de tentar melhorar, melhorando a escola. Eles sabem que o Brasil progredirá através da educação. Mas não aquela educação de que é feita a retórica de político…

Onde estão as principais barreiras para inovar? Nas escolas, entre professores, governantes, pais ou alunos?

A mudança em educação é um processo complexo e moroso: para grandes metas, pequenos passos. Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.

A mudança das instituições passa pela transformação das pessoas que as mantêm. Estabeleça-se uma práxis pautada numa ética da responsabilidade e numa relação dialógica. Que se recuse ideias feitas e se escape à síndrome do pensamento único.

A formação dos professores é deficiente. As escolas são geridas numa racionalidade administrativa e burocrática. Mas o principal obstáculo é o professor, quando assume que o ato de educar é um ato solitário, quando recusa reelaborar a sua cultura pessoal e profissional, no exercício da convivencialidade.

maio 24, 2012 at 4:04 pm Deixe um comentário

Esquema de interatividade

maio 24, 2012 at 3:35 pm Deixe um comentário

Tablet do programa Aluno Conectado levanta questões sobre estrutura do ensino público

Matéria originalmente publicada no NE10

Equipamento híbrido chega para alunos do ensino médio (Foto: JC Imagem)

É o sonho dourado de educadores e alunos do século 21: cada adolescente com seu próprio tablet, carregado com material didático digital, e ainda podendo compartilhar informações, usar dispositivos eletrônicos para ampliar a experiência de ensino e ter acesso instantâneo à informação. Tudo a favor da construção do conhecimento numa sociedade que tem nisso sua maior moeda. É um sonho que pode estar começando a se tornar realidade com a introdução dos tablets híbridos do programa Aluno Conectado, do governo do Estado. A partir deste mês, 152 mil alunos de escolas públicas do 2º e 3º ano do ensino médio receberão o equipamento da Digibras, divisão da CCE, comprados por R$ 629 cada. Mas será que só o equipamento basta para revolucionar a educação no Estado, como deseja o governo? As informações são do Jornal do Commercio.

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Especial mostra como a tecnologia pode provocar mudanças na educação

?Tudo vai depender do conjunto de softwares que virá embarcado no equipamento?, analisa o professor de química da rede estadual e graduando em ciência da computação Afonso Feitosa. Para ele, é preciso, de cara, deixar mais claro quais serão os dispositivos embutidos nas máquinas para que os professores comecem a planejar a utilização em sala de aula. ?Até agora esses softwares são um mistério. E isso faz toda a diferença, porque um computador, por si só, não muda nada. O que tem que mudar é o uso do equipamento na educação?, afirma

O professor mostra preocupação também com relação à conectividade nas escolas. ?Também não adianta nada ter uma ferramenta dessas e não ter internet na escola. E tem que ser de excelente qualidade. Não há condições de num colégio de 700 alunos, por exemplo, haver uma rede compartilhada de 2 Mbps. Tem que ter pelo menos 30 Mbps?, destaca. Outro ponto levantado pelo professor é a capacitação, que deve ser aprofundada. ?Se for só para dar aula de Powerpoint não adianta. Tem que haver imersão profunda nos softwares educacionais que virão na plataforma?, diz.

Pelo menos no discurso, a Secretaria de Educação de Pernambuco está em sintonia com a preocupação dos professores. Segundo o secretário Anderson Gomes, o tablet virá com um conjunto de 12 softwares educacionais, mais acesso à rede de acompanhamento da Intel, criadora da plataforma educacional usada no equipamento da Digibras. Entre eles, estão kits de ciências que podem ser usados em conjunto com sensores plugados à máquina, como microscópios, medidores de temperatura e acelerômetros. Também está incluído um software de reconhecimento de escrita que reconhece até mesmo operações matemáticas. Segundo Gomes, a expectativa é que todo material didático usado nas escolas seja digital ainda este ano.

No quesito capacitação, o plano da secretaria é que todos os professores diretamente envolvidos no projeto recebam treinamento da Intel. Os cursos começaram há uma semana. ?Primeiro vamos mostrar como usar a tecnologia dentro da sala de aula. Depois discutiremos como criar projetos de aula usando a mentalidade e as ferramentas do século 21?, diz o gerente de definição de plataforma da Intel, Russell Beauregard, que semana passada esteve no Recife para apresentar a solução aos gestores da educação de Pernambuco. ?Também queremos fazer uma capacitação específica nas ferramentas educacionais da Intel?, diz. Todo o treinamento, segundo o secretário Gomes, será financiado pela divisão de responsabilidade social da Intel.

Conectividade é o elo mais frágil da equação. Mas, segundo Gomes, 950 escolas do Estado estarão conectadas à internet até o fim do ano. ?Hoje temos 400 escolas com infraestrutura sem fio. Até dezembro conectaremos mais 550?, diz. O cronograma de implantação segue a mesma lógica da distribuição dos tablets. De início, a capital e as maiores cidades do litoral receberão os equipamentos e a infraestrutura de rede.

ENERGIA - Além de ter que resolver questões como capacitação e a integração entre professores, alunos e equipamentos, há questões técnicas que complicam ainda mais a implantação dos tablets híbridos na educação do Estado. Um dos principais é o fator energético. É que a bateria do computador tem duração de cinco horas, menos até que a dos netbooks convencionais. No caso de escolas regulares, a autonomia dos equipamentos pode até ser suficiente na maior parte do tempo.

Mas e no caso de escolas com horário integral, como o Ginásio Pernambucano? Ou o que fazer se o aluno esquecer de dar carga completa no equipamento na noite anterior à aula? A solução óbvia (ou seja, a inclusão de mais tomadas nas salas de aula) parece simples, mas requer uma matemática complexa. O impacto dos tablets na conta de energia das escolas estaduais não foi nem sequer mencionado no plano dos tablets. Mais informações sobre o uso do tablet na educação e a expectativa dos alunos da rede público podem ser lidos na edição desta quarta no Jornal do Commercio.

maio 23, 2012 at 3:36 pm Deixe um comentário

Educação transformada em processo de aprendizagem – Silvio Meira

maio 16, 2012 at 9:13 pm Deixe um comentário

Pdrões de Competência em TIC para professores – Diretrizes de Implementação

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maio 5, 2012 at 8:01 am Deixe um comentário

A tecnologia não nos salvará (por enquanto)

Por Gustavo Ioschpe, publicado originalmente no site da revista Veja

A ideia de um laboratório de informática, um lugar aonde se vai para estudar computação, é uma estupidez: ou o computador está presente em sala de aula e é apreendido por professores e alunos como parte da matéria, ou é inútil

Computador na sala de aula é bom,  mas nada substitui um professor bem  preparado e com proposta pedagógica sadia

Computador na sala de aula é bom,  mas nada substitui um professor
bem  preparado e com  proposta pedagógica sadia

Durante décadas, o Brasil ignorou suas carências na área educacional. Hoje, quando há falta de gente qualificada e superlotação de presídios, consolida-se a percepção de que o país não progredirá sem uma melhora radical no setor. Vem também a percepção de que esse é um problema gigantesco e urgente, cuja solução por vias normais levará tempo e demandará muito esforço. Surge então a busca por uma “bala de prata”, uma solução potente e rápida que nos permita atalhar o caminho. A bola da vez é a tecnologia.

Apesar de ser um entusiasta das novas tecnologias, uma busca na literatura empírica me obriga a concordar com um empresário que dizia: “Eu acreditava que a tecnologia podia ajudar a educação. Mas tive de chegar à inevitável conclusão de que esse não é um problema que a tecnologia possa ter a esperança de resolver. O que há de errado com a educação não pode ser solucionado com tecnologia”. Seu nome? Steve Jobs.

A primeira saída milagrosa proposta por alguns de nossos líderes é simplesmente a distribuição de hardware nas escolas. O tablet criado por Jobs é uma das ondas do momento: nosso Ministério da Educação vai gastar 150 milhões de reais neste ano na distribuição de 600 000 engenhocas a professores. Perguntei ao MEC quais os estudos que embasam a ideia de que a distribuição desse material terá algum impacto sobre a qualidade do ensino, mas não houve resposta. Nem poderia. Praticamente toda a pesquisa sobre o assunto, não apenas no Brasil como no exterior, mostra que não há relação entre a presença de computadores na escola e o aprendizado do aluno. Imagine então um aparelho dado ao professor. O programa surgiu por vias tortas. A primeira intenção era distribuir laptops a todos os alunos da rede pública. Mas a experiência internacional tem mostrado que essa medida é muito custosa e pouco eficaz, a ponto de cidades americanas que a implementaram já a terem cancelado há anos. Os alunos estavam usando os computadores para colar em provas e baixar pornografia. Mesmo no Brasil, o estudo sobre o impacto do programa Um Computador por Aluno em sua fase piloto mostrou que só se beneficiavam do laptop aqueles alunos que o levavam para casa; aqueles usados apenas na escola não produziam melhorias no aprendizado. O MEC fez então essa mudança de curso e resolveu destinar a verba aos professores, em uma medida que certamente agradará à categoria mas não tem sustentação na pesquisa nem na lógica.

No mesmo momento em que Brasília anunciava a medida, o governo do estado de São Paulo mostrou que desperdício pouco é bobagem. Ao mesmo tempo em que briga na Justiça para não cumprir a (inócua, diga-se) lei do piso salarial dos professores, o estado divulgou um investimento de 5,5 bilhões de reais, ao longo de dez anos, para equipar suas salas de aula com lousas digitais. Chama atenção a envergadura do projeto, em um momento em que também há farta divulgação de que experiências pioneiras nos EUA têm mostrado que os distritos que receberam essas máquinas vêm tendo desempenho pior do que a média de seu estado. (Toda a bibliografia mencionada neste artigo está na íntegra em twitter.com/gioschpe.) Para não ser leviano, pedi à Secretaria da Educação que enviasse os estudos que embasam essa decisão. Inacreditavelmente, o material encaminhado foi uma carta do presidente da Dell, fornecedora das lousas, remetida ao secretário da Educação com um resumo de suposto estudo da Unesco demonstrando o impacto positivo da tecnologia em projeto piloto na cidade de Hortolândia. Depois de dias pedindo para receber esse estudo, a secretaria me informou que não o possuía (!). O que leva a crer que tomou uma decisão bilionária com base em uma carta do principal beneficiário do programa.

Acompanhando essa obsessão já consolidada por maquinário, surge uma nova esperança de revolução educacional através do ensino a distância. Seus proponentes sonham com um cenário em que os melhores professores do Brasil dão uma aula e ela é acompanhada por milhões de alunos, quer em sala de aula, quer em casa, aprendendo em seu próprio ritmo. Assim nos livramos dos maus professores, cortamos gastos e imediatamente damos um salto na qualidade do ensino ofertado. Que eu saiba, nenhum lugar do mundo implementou sistema assim na educação básica, de forma que não há estudos para comprovar a exequibilidade desse plano, mas tenho fortes suspeitas de que é inviável. Se fosse possível simplesmente transmitir conhecimento remotamente, a televisão já o teria feito. A ideia é mais antiga ainda: em 1925, Thomas Edison, o inventor da lâmpada e do fonógrafo, previa que a presença de livros em escolas estava prestes a acabar: seriam substituídos por filmes. A tese segundo a qual a educação é um processo unidirecional de transferência do conteúdo do professor para o aluno é equivocada. Mesmo sem entrar em discussões pedagógicas, que não são a minha praia, os estudos econométricos mostram que muitos dos principais fatores de uma escola de sucesso — como a realização e a correção de dever de casa, provas constantes, formato pergunta e resposta em aula — dependem de interatividade e atenção ao progresso do aluno. O bom professor precisa conhecer profundamente a matéria que ensina e, além disso, modular constantemente a maneira como a transmite, levando em conta o estágio de aprendizado de seus alunos. Mesmo que a internet tenha a interatividade que a TV não tem, é patentemente impossível que um professor interaja com milhares ou milhões de alunos.

Uma terceira área em que a tecnologia pode ajudar a educação é através de redes sociais, para que alunos e professores se auxiliem mutuamente. Desconheço pesquisas a respeito, dada a novidade da tecnologia, mas o potencial é tremendo. Porém o fundamental certamente não é a tecnologia, e sim a decisão que a antecede: na China, professores se reúnem constantemente em suas escolas e, depois, em seu distrito para trocar ideias e melhores práticas. O Brasil poderia fazer o mesmo. A tecnologia pode facilitar e potencializar esse convívio, mas não é necessária nem suficiente para o seu surgimento.

Por último, uma área que tem mostrado resultados positivos em educação é a da utilização de softwares específicos para o aprendizado, especialmente no campo da matemática. As intenções dessa utilização não são revolucionárias, nem os resultados, mas pelo menos aí há evidências positivas. Algumas delas estão postadas no meu Twitter.

O fracasso da tecnologia em sala de aula, vinte anos depois do seu início, não quer dizer que ela não possa trazer resultados no futuro. Há um consenso na literatura de que inserir elementos tecnológicos usando o mesmo currículo e com a mesma pedagogia — como normalmente são desenhados esses programas — é um desperdício. A própria ideia de um laboratório de informática, um lugar aonde se vai para estudar computação, é uma estupidez: ou o computador está presente em sala de aula e é apreendido por professores e alunos como parte da matéria, ou é inútil. A tecnologia é uma ferramenta pedagógica, assim como o quadro-negro e o livro didático. Talvez mais poderosa, mas ainda assim apenas uma ferramenta, que trará resultados se for usada por um professor preparado em proposta que faça sentido pedagógico. O melhor software em educação continua sendo, disparado, o cérebro de um bom professor.

Não duvido de que um dia tenhamos máquinas que passem no teste de Turing, demonstrando inteligência indistinguível da de um humano. Até esse dia chegar, nossa batalha precisa ser a de ter bons professores dando boas aulas, sem pirotecnias ou geringonças. O fato de o Brasil estar embarcando em mais esse diversionismo é sintomático da falta de foco, de lógica e de ambição que domina nosso diálogo nesse setor.

maio 5, 2012 at 7:29 am Deixe um comentário

Melhorando o aprendizado com jogos e redes sociais

Por Pierre Lucena
Publicação original no blog Acerto de Contas

Não há como negar a importância das redes sociais nas nossas vidas. Imagine então na vida de adolescentes que já estão crescendo dentro desta perspectiva de relacionamento. Agora associe esta rede aos games e a influência na vida destes jovens.

Há uma tendência nossa em tentar refutar estas ferramentas, tratando-as como competidoras do tempo dedicado pelo jovem à sua educação formal. Pelo menos era assim a realidade quando conheci o saudoso Atari na década de 80, e passava horas jogando. Hoje é a mesma coisa, porém os adolescentes se conectam em grande parte via lan house. Hoje o tempo de conexão se divide entre os games e as redes sociais.

Ao invés de tratá-los como competidores, a Secretaria de Educação de Pernambuco resolveu juntar esforços com um grupo de empresas de games localizadas no Porto Digital, para articular uma forma de aprendizado que levasse em consideração estas ferramentas.

Na semana passada fui conhecer a joint venture chamada Consorcio Games PE, que representa um esforço conjunto do CESAR com 3 empresas de games: a Jynx, a Manifest Games e a Meantime.

Este consorcio foi responsável pela criação das Olimpíadas de Jogos Educacionais do Estado de Pernambuco, que reúne os estudantes da rede pública estadual dentro de um ambiente virtual de aprendizagem. Na prática, otimizou-se as atividades de ficar jogando na lan house ou jogar conversa fora na rede social, colocando-as à serviço da aprendizagem do jovem.

Os estudantes se juntam em equipes, auxiliados por professores (que validam os grupos), e passam a participar de uma competição onde várias disciplinas são colocadas ao mesmo tempo.

Para se ter uma ideia de como funciona, o estudante vai acumulando pontos, tanto participando de jogos onde o aprendizado é o carro chefe, como ao escrever e deixar recados na rede social em que participa. Toda vez que escreve errado, perde-se pontos. Aliás, a pobreza gramatical é absurda quando observamos as mensagens no Facebook ou Twitter. O objetivo é forçá-lo a escrever corretamente.

No caso dos jogos, a idéia é que os estudantes participem aprendendo. Cheguei a ver um jogo parecido ao clássico Space Invaders, onde ao invés de alienígenas o aluno matava tipos de bactérias. Mas para isso era preciso recorrer ao livro para buscar a informação precisa. Como funciona em grupo, há uma espécie de cobrança coletiva por resultados.

Os conteúdos seguem sempre a matriz de competências do ENEM ou do SAEB, que são as ferramentas formais de avaliação.


Luciano Meira, professor da UFPE e coordenador do projeto

As empresas de games instaladas no Porto Digital já exportaram o modelo para o Rio de Janeiro e Acre. O contrato com o Governo de Pernambuco deve ser renovado este ano. Apenas em 2010, 40 mil estudantes participaram jos jogos em Pernambuco, 60 mil no Rio de Janeiro e 5 mil no Acre.

A formulação dos conteúdos é gerenciada pelo Professor da UFPE, Luciano Meira, que estuda o assunto no Departamento de Psicologia. Luciano me disse que o resultado e a participação foram surpreendentes, e que o crescimento foi muito rápido.

Perguntei a ele sobre a competição do estudo com as atividades de lazer virtuais. A resposta é clara: “pode-se brigar com isso ou utilizar esta ferramenta para a aprendizagem”.

A Consorcio Games PE já possui 24 mini jogos casuais, além de 4000 enigmas,e em diversas áreas, como Biologia, História, Física, Matemática, Português,etc.

Muito se fala da introdução de novas tecnologias, mas a maioria fica restrita à sala de aula.

É certo que a atividade educacional da forma como é colocada é extremamente ineficiente. E arrumar formas alternativas de incentivo à aprendizagem inovando ao máximo é o que podemos fazer de melhor por aqui, principalmente porque os custos destas atividades são muito baixos quando comparados à forma tradicional de educação.

maio 3, 2012 at 8:34 pm Deixe um comentário

Evolução?

abril 30, 2012 at 6:38 pm Deixe um comentário

Reportagens sobre Educação à Distância

O sistema à distância pode ser atendido em todo o país. O conteúdo fica disponível na rede. Mas é preciso organização e disciplina para tirar boas notas. Matéria da Record News:

Para quem deseja fazer uma faculdade sem sair de casa, a opção é o ensino à distância, que vem se popularizando cada vez mais no Brasil. Em 2001 eram pouco mais de 5300 brasileiros estudando à distância, em 2009 os alunos já somavam mais de 830 mil. Resultado que coincide com o crescimento da internet no Brasil. Matéria do Jornal do SBT:

A segunda reportagem sobre o ensino à distância mostra como o mercado de trabalho recebe os profissionais que se formam com este método. Muitos conseguem bons empregos e até melhoram de posição profissional pela qualificação à distância. Além das possibilidades de estudar sem sair de casa, é possível ter acesso a universidades reconhecidas mundialmente, como Harvard. Nesta ocasiões, o estudo à distância acaba valendo mais do que uma faculdade presencial ruim. Matéria do Jornal do SBT:

abril 19, 2012 at 8:45 pm Deixe um comentário

A importância e o crescimento da educação à distância no Brasil

A ampliação da educação à distância aumenta a chance de pessoas que querem estudar para ter uma profissão e dos moradores de pequenas cidades. As aulas pela internet, que dispensam a presença do aluno na sala de uma instituição, têm abrangido cada dia mais cursos. Para falar sobre o assunto, Fabiana Panachão recebe o professor, André Genesini, e blogueira do R7, Rosana Hermann

abril 19, 2012 at 8:40 pm Deixe um comentário

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